quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

MAGNÉSIO: seu papel biológico, nutrição e patologia

Capítulo "Discussão" do Estudo do Curso de Nutrição da Universidade do Porto (Link para o estudo completo abaixo)

Até há pouco tempo não se dispensava grande atenção ao magnésio, nomeadamen-
te com o carácter de nutriente primordial. Comparando o número de estudos
epidemiológicos deste catião com outros, como por exemplo, estudos sobre o
sódio, cálcio e potássio, pode-se concordar com os autores que o apelidaram
de "catião negligenciável ou esquecido". No entanto, ele não e só a pedra
fundamental na constituição da clorofila, como também é de maior importância
em todos os seres vivos.


Nos países industrializados, a mudança do estilo de vida observada nos últi-
mos decênios provocaram uma mudança nos hábitos alimentares.
Inquéritos feitos em vários grupos populacionais, traduzem as repercussões
nutricionais desta evolução recente. Os resultados não são de todo favorá-
veis ao magnésio. A quantidade recomendável está além de ser atingida, podendo
mesmo afirmar-se que uma fracção importante da população mundial sofre
de carência crônica deste mineral.
0 processamento industrial dos alimentos, o elevado consumo de refrigerantes,
o uso de certas águas minerais e praticas culinárias inadequadas são
factores que contribuem para que o magnésio não chegue ao organismo em quan
tidades suficientes. Paralelamente, outros factores contribuem igualmente
para uma redução no aporte de magnésio: empobrecimento dos solos devido à
pratica de técnicas de crescimento acelerado das plantas; uso de pesticidas
que impedem a absorção do magnésio e a propagação dos tratamentos de "amole
cimento" da água.
O progresso no conhecimento do magnésio, suas funções e metabolismo são dados
manifestos mas ainda insuficientes: a magnesemia eritrocitária não per
mite apreciar os fluxos que atravessam a hemácia; o conhecimento do magné-
sio ultrafiltrável ou o estudo dos canais celulares são ainda incompletos;
persiste a dificuldade de correlacionar a semiologia clinica e as alterações
biológicas; as incertezas ao nível celular são numerosas.
0 papel bioquímico do magnésio é essencial, mas as suas aplicações, a situa
cão clínica, estão ainda repletas de interrogações.
A correlação entre a carência em magnésio e inúmeras patologias (gastro-intestinal,
hepática, renal, endócrina, uterina, neurológica, óssea, espasmofilia,
patologia do sistema cardiovascular) tornam necessária a avaliação
da situação deste mineral.
É importante assegurar o aporte diário recomendado de magnésio, principalmente
em situações de risco-gravidas, aleitantes, indivíduos em crescimento
-por razoes fisiológicas, e, ainda, trabalhadores esforçados, desportistas,
alimentação rica em gorduras ou proteínas, stress, alcoolismo e terapêutica
medicamentosa.
0 enriquecimento dos alimentos em magnésio é um método já utilizado, em alguns
países, como medida profilática. A Finlândia, por exemplo, permite a
adição de magnésio ao sal das cozinhas. Os Estados Unidos promovem a adição
de magnésio ao pão. Estas medidas contribuem, assim, para que o aporte de
magnésio se processe em quantidade suficiente.

Acesse o Estudo completo realizado pelo "Curso de Ciências da Nutrição da Universidade do Porto"



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